A história de João e Maria - a busca por meu Pai.
Atualizado em 14 de junho de 2024.
Essa é uma parte da minha história, de alguém que busca e ainda tem esperança
de encontrar e conhecer seu Pai. Existem verdades que não foram contadas a mim,
que foram modificadas pelo bom curso da moral e puritanismo de minha família,
vergonha, época, localidade, costumes da sociedade, mas enfim, conversei com
alguns parentes e reuni os depoimentos e dessa vez tenho uma foto de minha Mãe
na época em que eu nasci (1962). A procura é pelo meu Pai, mas não tenho
nenhuma foto dele, infelizmente, minha Mãe sumiu com todas, espero que a imagem
dela faça alguém lembrar da época e me ajudar a encontrar meu Pai.
Meu nome é Uiles Matos, tenho 61 anos e ao contrário do que o título possa
ensejar, não remete à famosa estória infantil de conto de fadas com mesmo nome.
O texto abaixo pode ser mais uma história, mas é, na verdade, a maior questão
da vida de alguém, a minha vida. Não passou um dia até hoje, sem que eu
pensasse ou sentisse a falta do meu Pai que não conheci. Minha intenção com
essa publicação é, quem sabe, aparecer num resultado de busca para alguém, meu
Pai ou quem possa estar envolvido na busca dessa verdade. Como a internet é tão
poderosa no seu alcance, espero que você consiga ler toda a história e mais
ainda, que possa ter alguma informação ou quem sabe, descobrir algo que possa
ajudar nessa busca. Quisera ter recursos financeiros para poder contratar
serviços profissionais e contar com todas as ferramentas possíveis,
empreenderia uma verdadeira caçada, mas, infelizmente, não posso fazer isso. Já
tentei inúmeros programas de TV através de e-mail, mas, não sei qual o critério
que eles usam para ajudar alguém. Nunca fui chamado. Por isso, só me resta você
que está lendo isso agora.
Importante: você não chegou aqui por acaso, toda a ajuda é muito bem-vinda e desde já, agradeço de coração a sua visita e seu tempo.
Vamos lá: Minha Mãe, Maria de Jesus Matos, nasceu em 26/03/1944 na cidade de
Itabuna/BA, veio menina para o interior de São Paulo, mais precisamente para a
cidade de Votuporanga no interior de São Paulo, depois Colina/SP. Sua família
viveu por fazendas e fazendas sempre trabalhando na lavoura. Maria, por ser uma
das filhas mais bonitas, sempre trabalhou como empregada doméstica desde muito
“mocinha”.
Sei que ela trabalhou para uma família muito tradicional de Colina, a família
"Paro", o nome não sei ao certo, mas me parece que era Emar Paro o seu patrão. Trabalhou para
uma família de japoneses que não tenho nada sobre eles. Trabalhou para muitas
famílias e infelizmente não parava muito nos empregos. Na época a cidade a
conhecia pelo apelido de CHINESINHA pelos olhos puxados que tinha. Por uma vez,
ela me contou que até chegou a cantar numa rádio de Colina. Era muito bonita e
cobiçada e seu comportamento e estilo até propiciou alguns assédios que não
tenho dados, mas sei que aconteceu. Por sua suposta ingenuidade, aos 15 anos,
uma amiga que ela chamava por “Neguinha” a levou a uma festa numa casa de
amigos e lá ela perdeu sua virgindade. Logo em seguida, com 16 anos (1960)
conheceu João Lucas Toledo (ela não se
lembrava muito bem, mas do primeiro e último nome ela tem certeza que era esse
mesmo), ele era engenheiro ou contramestre de passagem pela cidade de
Colina/SP. Estava construindo um Posto de Puericultura tipo os atuais Postos de
Saúde, UBS, etc... Esse tempo deve ter levado uns 3 anos.
Ele estava sozinho e minha Mãe soube, depois do relacionamento iniciado, que
ele era casado e já estava separado. Tinha um filho deficiente com problema em
uma das pernas que minha Mãe não soube explicar o que era.
Com nove meses de namoro com meu Pai, minha
Mãe engravidou de gêmeos, foi um aborto natural de uma gravidez que só durou
três meses.
Outros três meses depois, novamente, engravidou de mim e eu nasci em 03/08/1962
às 20hs numa maternidade de Bebedouro/SP porque na cidade de Colina não tinha
ainda uma maternidade, as mães iam até Bebedouro, davam a luz e as crianças eram registradas como nascidas em Colina. Efetivamente, nasci em Bebedouro, mas meus documentos marcam como nascido em Colina/SP. Segundo minha Mãe, meu Pai chegou a me conhecer, me
pegar no colo e como era seu estilo, muito sério (na verdade, tímido), com os
olhos fixos em mim em silêncio, me erguia no alto e dizia palavras próprias de
um Pai, ainda que por curtos momentos, umas duas ou três vezes isso aconteceu,
segundo minha Mãe. A construção do Posto de Puericultura chegou ao seu término
e João foi chamado para construir uma Cadeia Pública em Santos/SP no bairro
Macucu, ele chamou minha Mãe, mas, ela não quis ir, ficou com medo porque,
segundo ela, ele iria me por num Colégio Interno e ela não queria isso.
Uma de minhas tias me garantiu que a Mãe do meu Pai não gostava do comportamento de minha Mãe
por causa do seu estilo extrovertido - isso era um grande impedimento para
que eles ficassem juntos, presumo por sua insegurança e timidez. Um mês após sua ida, conforme prometido, ele veio nos
buscar na fazenda em que minha família trabalhava. Por acaso, neste dia, minha
Mãe e eu não estávamos. Minha Tia Joacy contou que ela estava trabalhando em um
bar da região, nessa oportunidade, ele ficou furioso e foi como se desistisse
dela. Ele foi até o tal bar e segundo consta, quebrou o bar inteiro por não ter
encontrado minha Mãe. Deixou o recado que voltaria um mês depois.
Dois meses depois, ele mandou um motorista buscar minha Mãe e eu na fazenda.
Era um grande e luxuoso carro preto. Segundo minha Mãe, Minha Vó dizia que João
(meu pai) era um homem muito bonito, "marinheiro de cada porto, um amor” e
deixaria minha Mãe na primeira chance. Minha Vó me pegou nos braços, se
embrenhou nos canaviais e disse: “Se você for, vai sozinha, o menino fica! ”.
Para completar o cenário, João mandou um discurso por intermédio de seu
motorista que minha Mãe não gostou, João disse: Nós iríamos para Santos,
enquanto minha Mãe trabalhava, eu ficaria numa creche e ela não aceitou o fato
de eu ficar numa creche. Desde então nunca mais vimos meu Pai.
João Lucas Toledo, é o nome do meu Pai, reitero que não tenho certeza se esse é
o nome real inteiro porque minha Mãe, misteriosamente disse que tinha um outro
sobrenome no meio do nome dele, entre o "Lucas" e o “Toledo”, mas que
ela não lembrava), com seus 30, 35 anos (não sei ao certo sua idade na época),
engenheiro civil ou contramestre, natural de Barretos/SP, assim como toda sua
família. Segundo minha Mãe, a família de João era grande e respeitada na cidade
e conta que o pai do meu Pai, ou seja, meu Avô, renunciou à riqueza da família
por um amor proibido, uma mulher de família pobre – minha avó.
Na época havia um deputado famoso em São Paulo, parente de João: Ricardo Dias Toledo. Não sei se tinha o "Toledo" também.
Na época do envolvimento com minha Mãe, meu Pai era casado, desquitado havia 3 anos, tinha um filho desse matrimônio que pelo que consta, tinha uma deficiência física nas pernas. Zéfinha, ex-mulher de João, era filha de um tal Sr. Silva e Dona Laura. Essa família vivia numa fazenda chamada Palmares – localizada no caminho do trem que vai de Colina para Barretos. Quando casados, João e Zéfinha moravam em Barretos. João era muito recatado, falava pouco e quando precisava agir era muito explosivo. Tocava piano e quando em paz, parecia ser muito sensível e romântico, segundo minha Mãe. Já pensei em procurar na prefeitura o nome do responsável por alguma obra que ele já participou, mas, é preciso tempo e dinheiro... essas são as informações que tenho dele, não posso assegurar se são verdadeiras, mas, foi o que consegui conversando com todos parentes que pude - os meus parentes também são evasivos e dão impressão de esconderem algo de mim também, assim como minha Mãe fazia.
O que tenho de certeza é esse vazio, uma peça que falta - não há um dia em que
eu não pense nisso na minha vida. Tenho muito medo de que ele já tenha morrido...
isso faz com que mesmo que tudo esteja bem, aquela tristeza lá no fundo
persiste como uma tristeza disfarçada de superação, sublimação.
Em 1963, meu Avô, Pai da minha Mãe morreu, ela então se casa com Antônio Aguiar
Nascimento, seu primo (hoje falecido), um casamento com interesse de minha Mãe
em sair do interior e vir para São Paulo/Capital onde teve mais três filhos com
Antônio: Neusa, Antônio Jr. e Wilson.
Se separaram através de desquite em 1971 e por conta dessa separação, sem condições, sem ter onde morar, eu e Antônio Jr. fomos para um colégio interno na cidade de Catanduva/SP, o "Lar Escola Anita Costa" que era mantido pelo Rotary Club da cidade. Ficamos lá por 5 longos e sofridos anos, passamos por muitos apuros, mas, no balanço geral, foi uma infância agitada, com muitas aventuras, trabalho, sofrimentos desnecessários e também uma parte bonita que foi conhecer a realidade de tantas outras crianças que foram para lá por inúmeros motivos e muitos, piores que o nosso. Meus dois outros dois irmãos, Wilson e Neusa foram para casas de parentes que, às vezes, é até pior que o colégio interno que ficamos.
Minha Mãe ficou morando em pensões, trabalhando como cobradora de ônibus para sobreviver, além de lidar com todo o preconceito e abandono da nossa família que a classificavam de nomes feios e o mais gentil deles era “prostituta”. Por sua beleza, por ter se separado e por ter seus quatro filhos longe dela, ela não era exemplo para ninguém, nossa família era puritana, conservadora e só atacavam cada vez mais a minha Mãe.
Hoje entendo porque minha família toda era tão revoltada com minha Mãe. Ela era
uma mulher que buscava seu prazer e não se prendia a nada que a sociedade tinha
como bom e correto. Ou seja, adorava namorar, sair para dançar, fumar, beber,
noitadas, se vestir de maneira atraente porque era bonita e gostava mesmo de
chamar atenção masculina. Não concordo com o comportamento da minha Mãe, mesmo
tendo passado o tempo, ela fez muita gente sofrer por isso.
Em 1977 nos reunimos novamente morando numa pensão no centro de São Paulo,
outro episódio terrível de nossas vidas. Vivemos um tempo lá e tivemos muitas
andanças e trabalho até conseguirmos viver um pouco melhor. Passamos por muitos
outros endereços, sempre com dificuldades e minha Mãe desenvolveu a habilidade
de atender pessoas em casa com uma suposta vidência que lhe dava poderes para
ler a vida das pessoas por um copo de água usando a Umbanda. Com isso,
conseguimos ter um padrão de vida melhor porque as pessoas ajudavam de maneira
espontânea. Depois de um tempo, começou a se enveredar pela umbanda, fazendo
“trabalhos”, etc. Nunca gostei disso, mas ela gostava.
Em 1996, saí de casa para viver com minha esposa Cristiane, juntos até hoje, tenho três filhos: o David de 28 anos, Erick de 18 anos e Mateus de 16 anos - meus amores com quem faço questão de tentar a cada dia ser o melhor Pai do mundo, não porque não tive o meu Pai, mas, porque os filhos são presentes de Deus e minha obrigação como Pai é fazer deles pessoas de cabeça boa, felizes e que tornem este mundo melhor. O amor que sinto por eles e o que eles sentem por mim é uma coisa tão imensa que não consigo enxergar minha vida sem eles, sem acompanhá-los e tê-los como meus amigos. Sou muito grato a Deus por isso, apesar de que são homens e decidem seus atos e os caminhos de suas vidas de maneira independente.
Maria de Jesus da Silva Matos -
1944 - 2003 (foto tirada em 1962) |
Quero apenas conhecer pelo menos a identidade e história porque imagino que já
deva ter falecido. Hoje, ele estaria com no mínimo, 95 anos. Não me importam os
motivos que nos separaram (sei, posso descobrir que ele simplesmente não quis
ou que talvez tenha se magoado com minha Mãe e resolveu também não me ver mais)
quero apenas preencher uma peça que falta no quebra-cabeça da minha vida e
talvez quem sabe, tenha mais alguém para amar e apresentar para os meus filhos
o Avô deles - eles iam adorar com certeza.
Se você puder me ajudar nessa busca, qualquer informação por mais boba que
pareça, pode me ajudar a encontrá-lo. A única foto que tenho é de minha Mãe na
época em que eu nasci, talvez quem a tenha conhecido possa lembrar do rosto,
lembrar de algum detalhe e me ajudar com alguma informação. Só pelo fato de
você ter lido esse "jornal", já está energizando positivamente minha
busca.
Obrigado!
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